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quarta-feira, setembro 26, 2007

Poverty II – Lets (re)think about it.

What is “poverty”? During my stay in Bangladesh the definition of poverty was a question I had constantly in my mind.

Why is the definition of Poverty is important? Well I believe that, at least, a good understanding of it is important for the definition of who we call “poor people” and how we can contribute to alleviate “poverty”.

I believe that the concept of poverty arisen with the creation of the modern society. Where it arises the responsibility of the government/State towards the citizens, concerning several aspects like health, education and even society integration.
This concept has been globalized specially, after the Second World War, with the decolonization process and with the creation of the global organizations (EX: UN, World Bank, WTO). Creating the sense that poverty is a “world” responsibility. These organizations are the regulators and the higher entities of a world order. Concerning the poverty, all of them have a huge impact but only some take a full responsibility like the UN.

I believe, that nowadays, the definition of poverty is a global definition in a world leaded by economy, markets and interests. Today, when we think about poverty we think… People that live with less then 1 or 2 dollars per day. And we think “Incredible!!!”
But what does this mean? Are they really poor? Maybe not, maybe yes, but that doesn’t really matter. Because the concept, in a global perspective, is an external concept! This means, it categorizes people that match certain economic indicators as being… Poor.

- Ohhhh… so this means that globalization creates the concept of poverty… So we should just avoid or fight against globalization.
- The reality is that you just can’t avoid it. And because globalization creates the concept of poverty it does not mean that “problems” weren’t there before. Because poverty is a consequence of the creation of wealth. For example when you draw a circle you have a space in the circle, outside the circle and over the border you have drawn. But mainly in and out like rich and poor… and the border is the globalization! Is it confusing?

Poverty and Globalization

The creation of the concept of poverty is deeply related to the creation of a globalization that, since the early 90s, takes only the form of markets. This means that the capitalism revolutionizes the world, changing secular social structures, aiming the creation of markets. There is no space for self-sustainable communities, or “closed” countries. This is not bad or good is just a fact that creates “poverty”.

In this new order of the world the creation of the concept of poverty ignores all the different “poverties” that exist. For example: a homeless/beggar, in Dhaka is more or less poor than a man that lives in the countryside that has never seen money in his life? The answer is a cultural answer, in Bangladesh it depends on their social network. So it is not an economic answer that sees them as the same, “poor man”.
So, the consequences are that when the UN or other development organizations fund NGOs in a country like Bangladesh, they are creating changes in the structures with:
a. NGOs that create the concept of poverty – as populations realize they are poor.
b. NGOs are being agents of the creation of markets introducing money as an intermediate (Ex: Micro credit)
c. The local communities social structures change.
d. Creates a middle class in the communities – People that own and work at the NGOs
e. The NGOs usually reproduce a perspective of development of the “center” and ignore the local community specificities.
On the other hand, NGOs substitute the local government as representants of the local populations. They also develop programs in several areas like education, sanitation, women empowerment or health considering the Millennium Development Goals. These programs usually show a light but also a unidirectional way towards a standardized world designed in the offices in Geneva or New York.

What to do and conclusion!

I don’t want to generalize but I believe there is a need to reeunderstand the NGOs role in development and that can only be done with a closest link to academic Universities around the world and NGOs that can help rethinking the concept of development and poverty.

So, global poverty is a big word to represent a multiplicity of real situations of exclusion, lack of social integration, dependency, hunger etc. The economic indicators can be misguiding or erroneous conducting to a standardized approach of the world poverty, but they are enforcers of the creation of global markets and the continuation of dependencies towards global centers. On the other hand their non existence create countries or regions “excluded” from the Globalized world, that means that there will be no foreign Investment in the future, cycles of economic depression and probably political tensions and great places for weapon sellers to enforce their power. Being the armament industry one of the axes of global economy.

Confused? I am!

sexta-feira, setembro 21, 2007

Bangladesh - Short Stories


Durante o tempo que estive no Bangladesh fui ver duas vezes filmes Banglas. Filmes puros e duros saidos das entranhas de caricaturas da sociedade bangladeshi. Como devem estar a pensar o meu Bangla não é bom o suficiente para perceber 10% do que diziam mas as historias eram extremamente iconográficas e fáceis de compreender.
O primeiro filme vi no que os Bangladeshis dizem ser o maior shopping mall do sul da Asia.
Onde é que eu já tinha visto isto? CC Colombo na peninsula Ibérica?
O filme, "missed call" era simplesmente sobre uma rapariga jovem, com muitas amigas, que se apaixona por um rapaz e contraria a cultura dos casamentos planeados pela familia. A paixão é forte mas por um rapaz que ela nunca viu mas fala no computador, sms e telemovel. Ao mesmo tempo a familia dela arranja-lhe um noivo que acaba por casar com ela. Mais tarde ela descobre que esse rapaz é a sua paixão desconhecida. Feliz após o casamento vai viver com os pais do marido, como é tradição. E assim acaba a historia feliz de uma rapariga no Bangladesh. (no end kiss)

A segunda história era mais complexa. Era sobre uma desgraça social e familias curruptas e ricas no Bangladesh. Esses "maus" estão associados à policia que oprime e bate vilentamente nas pessoas, invade casas. Bem a historia é um pouco mais complexa mas tinha elementos muito interessantes: muitas lutas que parecem filmes do Bruce Lee com aqueles movimentos rápidos e algum sangue é mistura e uma crueldade demoníaca dos "maus", o heroi da história é uma heroína que luta como um homem, prisões. Nestas histórias as mulheres dançam à chuva o que é a parte mais erótica do filme. E as heroinas e amigas são sempre muito bonitas e estão sempre acompanhadas de muitas amigas que são um elemento que não temos na nossa sociedade. É como se o pensamento dela fossem as amigas.

É muito interessante como análise de uma sociedade. Por um lado é bastante exposto (viloento e sexual) para um país Muçulmano mas está sempre apinhado de gente (como tudo no BD, heheh). Mas não há beijo no final, heheh!!! E tem todos os condimentos que fazem um filme fácil de ver e que consegue ser visto por uma audiencia de classes baixas o que que de certa forma vai revolucionando a maneira como a sociedade evolui. É bom notar que mesmo as aldeias mais remotas têm um cinema relativamente perto. E cheio de homens e mulheres.

Bem acho que é uma possibilidade para quem queira fazer um estudo sobre cinema como reflexo da sociedade.

quarta-feira, setembro 19, 2007

quarta-feira, agosto 01, 2007

The Dhaka Project




O que e este projecto?
E um projecto liderado por uma poruguesa que tive o prazer de conhecer. Maria da Conceicao que numa das escalas como hospedeira de bordo decidiu ajudar as criancas que vivem nos "slums". O projecto tem uma escola, um infantario, workshops de texteis, workshops de beleza e outras iniciativas.

A minha experiencia com o Dhaka Project foi curta mas forte. Conheci inicialmente o Arnold numa festa. Ele falou-me do projecto. Visitei no dia seguinte, e conheci a Maria. Uma pessoa muito dinamica e com uma certa inquietacao pelo que podemos fazer mais!
Um momento especial, foi quando tentamos, eu o Alex, a Maria, e o Arnold de carro numa rua estreitissima onde havia protestos das mulheres e raparigas que trabalham nos garnments. Elas bloqueavam a rua em que carros de ambos os lados e pessoas se aglutinavam bem ha maneira deste sub continente. Gente, muita gente. Neste epicentro vindos de uma rua ainda mais estreita deparamo-nos com esta situacao. Foi magia... A Maria sai do carro, saimos os 3 rapazes tambem, e depois de uma troca de palavras com os lideres locais e com o acordo destas mulheres furiosas... abriram uma excepcao. E passamos... Acho que se consegue ver o carinho que estas pessoas tem pela Maria e pelo projecto... Esta foi uma das minhas experiencias... excepcionais...

Se quiserem saber ou se quiserem saber mais ou ajudar vao ao site abaixo.
Que tal uma experiencia de uns tempos no Dhaka Project, uma boa dose de aventura e o querer saber mais sobre a cultura deste povo maravilhoso. E tambem o querer ajudar e o compreender o que e a situacao destas pessoas. E uma experiencia maravilhosa!

http://www.thedhakaproject.org/

quarta-feira, julho 25, 2007

Moncao II

Bem, gostava de partilhar mais um pouco do sentimento de moncao com os meus leitores assiduos.

No dia 22 de Julho de 2007 sai do emprego depois de varias horas de chuva e este foi o percurso que fiz... a pe:

5:30 - Sair do emprego
5:50 - Promeiro entroncamento com uma inundacoa descomunal. Tive de arregacar as calcas e com agua pelos joelhos ir ate ao outro lado. Vejam as fotos.
6:30 - Avenida completamente inundada com um transito infernal.
7:00 - Parei e comi um hamburger... estava a morrer de fome
7:20 - Comprei amendoins, conversei um pouco com o rapaz ue os estava vender... um saquinho custou 2 Takas que e o mesmo que 2 centimos
8:00 - Gulshan 1
8:30 - Gulshan 2
9:00 - Baridhara DOHS (casa)
Vejam as bolas vermelhas sao o meu emprego(esquerda) e a minha casa(direita) , a azul os sitios das fotos completamente inundados.
Ha um sentimento de comunhao quando estas coisas acontecem. E como ficar a olhar para o fogo numa lareira... parece que todos ficam hipnotizados e partilham olhares de cumplicidade enquanto as pernas e os pes estao enterrados na agua...












quinta-feira, julho 12, 2007

Manifesto ao Governo Portugues

















E preciso ligar o nosso passado historico ao nosso presente e ao futuro!
Quando digo que sou portugues ha 2 reaccoes tipicas
1. Futebol, pois e o nosso maior estandarte neste momento.
2. ‘Piratas’, inicialmente e estranho mas nesta regiao eramos aliados do imperio Mughal mas tinhamos uma perspectiva de comercio e evangelizacao. Ou uns piratas que vinham de barco!!!

O nosso legado historico na regiao e interessante, hoje em dia ha algumas vilas cristas, nos arredores de Dhaka, que sao totalmente legado de sacerdotes portugueses.

Aqui vem o Manifesto :

Porque e que nao criamos uma ligacao entre universidades nas regioes onde os Portugueses deixaram herancas mundiais ?!?!?!

So nesta regiao, temos a India, Bangladesh e o Sri lanka. Nesta ligacao imaginem 50 estudantes poderiam vir para estes paises/regioes e estudar com colegas destes paises sobre as herancas portuguesas mas especialmente entenderem o que sao e vao ser estas regioes com legados e influencias milenares. Da religiao, passando pela literatura ou historia estas culturas sao riquissimas.

Os portugueses foram mais do que os ‘amigos do bairro’ e porque nao olharmos para o futuro percebendo o que criamos ou destruimos.

Estamos a falar de jovens que mudam a sua atitude, a sua perspectiva sobre estes paises e podem um dia mais tarde dirigir projectos de cooperacao com estas regioes.

Para alem da forca de criar conteudo, podia-se criar um blog das suas vivencias, criar um espaco mediatico com jornais, revistas e televisoes que estivessem interessadas em documentar o trabalho destes estudantes. Estes estudantes podem ser de varias areas, antropologia, historia, literatura, etc.

Nao devemos ter preconceitos em relacao ao que fomos ! Porque nao usar este pretexto para dialogarmos com estas regioes ? Estabelecer parcerias de entendimento, cultural, educacao ou mesmo economico. Este pode ser um... principio.

Nao, nao se trata de impor a estes paises uma legitimidade de pais colonizador, mas pelo contrario estes estudantes devem ter como missao aprender com estas culturas riquissimas! E ha muito para aprender!

Fim do manifesto.

Bem gostava de dizer que isto nao e um Manifesto de extrema direita, mas sim parece-me que o Portugal de hoje nao sabe nada sobre o seu legado ou como estas culturas nos veem. Pior, nao sabemos absolutamente nada sobre estes paises. Quem sabe alguma coisa sobre o Bangladesh ou o Sri Lanka ? Sabiam que ha inumeros Pereiras, Almeidas, Zilvas, Abreus, aqui e especialmente no Sri Lanka. Alguns descendentes de portugueses outros cristaos convertidos.

Gostava que soubessem que um dos primeiros dicionarios (talvez o primeiro) de Bangladeshi para outra lingua foi para portugues. Atraves dos missionarios.
Vejam:
http://en.wikipedia.org/wiki/Christianity_in_Bangladesh

Se calhar um primeiro passo e ter uma Embaixada no Bangladesh... por exemplo!

Bem, mais uma vez nao quero parecer um ultra ortodoxo que quer instaurar um imperio desaparecido. Mas acho que os portugueses tem a ganhar com um entendimento proximo com estes paises e com protocolos que podem ajudar a catalogar o nosso legado historico ou ser os fundamentos para uma sociedade civil em portugal que tem um entendimento mais abrangente do mundo. Penso que pode ser um pretexto para criar termos um projecto para e com o mundo. DEIXEM DE PENSAR PEQUENINO!

quinta-feira, julho 05, 2007

Development (em ingles)

O que vou postar e um pequeno texto sobre o que o meu chefe me pediu para escrever assim que cheguei ao escritorio.

Quando cheguei as 9:02 min da manha ele chamou-me e enquanto fumava um cigarro perguntou-me:
I would like you to tell me what is your current perspective about bangladesh development sector?

Tudo isto porque no inicio fui extremamente duro no que lhe disse, especialmente pela minha experiencia na ONG em que estive antes. Sera que mudei a minha piniao?

My perspective about Bangladesh development sector (brief subjective notion)

Bangladesh development sector is a big sector. BRAC is the biggest NGO in the world with operations in Sri Lanka, Pakistan, Afghanistan or Indonesia and the European Commission gives 25% of its help to Asia to Bangladesh.

Big, medium, small NGOs seem like a must in any Bangladeshi village, that reminds me the post offices in Portugal. It is almost a “development flag” to have an NGO in a village.

My first approach to this was very critical, with a frustrating “billboard NGO” as first experience. All the idealistic perspective that there are people trying to help other people just vanished. Instead, exists a big industry that lives from the billions that “developed” countries inject in the country believing they are doing the “good”. But not being responsible about its impacts.

Than you have a whole middle class (and not so middle) that lives from this industry. This is not necessarily bad but lets look at it deeply.
In a simple way, a company that works in a “normal” industry receives money from their clients according to the product or service they deliver. So, in a competitive market with multiple players they have the incentive to understand and sophisticate their own approach and the client is, in the end, are better off.

With the NGOs the money doesn’t come from the same place where they deliver the product. So, what happens is that most of the NGOs have leaflets in English, with a copy paste from Millennium Development Goals and their “clients” don’t count for the NGO sophistication.

The real problems are just not problems... the millennium development goals create constraints to this country development. Also they create false problems that all the NGOs just multiply workshops about that not so important issue concerning the real problems of that village.

Look at this graphic. In a country like Bangladesh with so many problems, HIV for many different reasons is one of the least problem, and is insignificant compared with people that many times don’t have nothing to eat. Amazingly, in many NGOs I visited they have a program about HIV. And what they do is a workshop with some people about the ways of contamination etc. Strange...
But, isn’t it in the Millenium Development Goals!?!?!

(check it in wkipedia)


If there is a need for “development” than it should be something created in the communities, in the families, in the individuals. They have the power to say what they need.

Don’t create the poverty stigma on people!!!

There is, instead, a need to give the tools to make people dream and help people to achieve those dreams. It seems simple but it is not.
On the other hand it is easy to continue to apply development measures designed in NY or Geneva and legitimate the growth of the millions of NGOs that exist in the world. I think this designers should live in Dhaka or in a developing city.

Monon said, this is like a child: when it falls on the floor, if the mother is around he will cry until his mother comes and picks him up, but if there is no mother around the child just stands up cries a bit and continues.

What I believe is that there is a need to understand how all the NGO industry is working and understand what can be done to create platforms that really help them in their own needs. The "unleash" word.

I don’t want to put all the NGOs in the same basket but this is my general feeling about most of the professional NGOs. Anyways there are good projects, ideas, and even people that continue to give their lives to causes.

Development sector is a complicated thing by definition. And there is a big and intelligent work to do . It needs to be close to the peoples needs but for that it needs to understand who are these people, who are the poor people. Maybe the way is to drop this concept and try to start empowering people that have primary needs that cannot be fulfilled. Assuring that you are not creating a dependency system. This will take time but can be done.

Hope I have heaps of comments!!!

Obrigado andre pelo incentivo ao blog!!!

quarta-feira, julho 04, 2007

quarta-feira, junho 27, 2007

Ajuda Humanitaria







Estas imagens foram tiradas com o meu telemovel em Noahkali, no Domingo.
Estas pessoas estao a espera de receber 50 Kg de arroz por cabeca. Sao talvez das pessoas mais pobres no Bangladesh. Esta parece uma ajuda humanitaria digana e com um objectivo claro.
Nao deixar a fome atingir estas pessoas!
Na realidade e algo mais profundo do que isso. Esta ajuda e devida a um problema de cheias que aconteceu ha dois anos. As moncoes chegaram cedo demais e muito do arroz plantado foi perdido. Foi pedida ajuda internacional pelas organizacoes locais... essa ajuda demorou... 2 anos a chegar... pelo lado positivo... "pelo menos chegou".
Mas queria partilhar mais! este ano aconteceu o mesmo! Ou seja as moncoes chegaram cedo demais... muito arroz ficou perdido... O ponto e que a fome apenas se vai notar a partir de Outubro... quando este arroz ja tiver sido consumido...
Ou seja em 2 ou 3 meses provavelmente, vai ser enviado um pedido de ajuda internacional por arroz! que esperemos que chegue em 2009!
Podem voltar a ver os vossos mails, para o sofa, para televisao... e confortavel! Que eu tambem!
Inte!

terça-feira, junho 26, 2007

Identidade(s)

Gostava de partilhar um dos meus pensamentos de casa de banho.

Identidade:
Senti-me identificado noutro dia enquanto caminhava na rua com o povo, a cultura, os habitos, as pessoas e a natureza da forma como a sociedade esta a evoluir no Bangladesh.

Sim! Indentificado! Pode parecer estranho, mas o que me deu essa sensacao foi a forma como as pessoas tem relacoes pessoais. Ha um calor humano muito forte. As pessoas abrem as portas das suas casas. Quando conheces um dos familiares es visto como um convidado especial, irmao, que lhes da o prazer de poderem oferecer o melhor da sua comida. Faz lembrar aqueles "bons velhos tempos" que lembram o que foram ou sao os portugueses nas zonas rurais.

Mas o que e brutal e que esta identidade e normalmente vista atraves das diferencas. E e por estas diferencas que as pessoas se identificam. Assim os estados, as nacoes, as regioes, fronteiras sao criadas fruto dos interesses, habitos, tradicoes, crencas, linguas, religioes, senso comum ou apenas pelo "tu es mais semelhante do que ele".

Vou deixar-vos uma fotografia do diferente mas o semelhante esta inerente. Mesmo que nao consigam ver.

Para mim e dificil mas esta la!


(Vejam se conseguem ver: sonhos, pensamentos, medos, habitos, tradicoes, problemas, conviccoes...)

quinta-feira, junho 14, 2007

Macacos em DHAKA



Estes macacos, parecem pequenos Satans!!! Estas fotografias foram tiradas ha 2 semanas na area de Old Dhaka, Na zona hindu chamada Shakari Bazar, onde se pode encontrar todos os ornamentos tradicionais hindus.

(mais macacos) Eu, o Alex e a Junia no Pink Palace

Acho que no proximo post devia ser mais fiel ao espririto do meu blog e falar sobre politica... Posso tambem combinar com fotos dos macacos na assembleia. Melhor, posso escolher falar sobre a quantidade de macacos que andam a estudar a revisao do proto tratado da Uniao Europeia. Sim, eu sou a favor de um mini tratado... tipo a montanha pariu um rato hehehehe!!! Vejam o proximo post!!!

terça-feira, junho 12, 2007

Moncao



Aqui fica o antes e o depois de uma chuvinha de umas 3 horas.

domingo, junho 10, 2007

Ensino na regiao de Bengala


O blog que nunca mais vinha aqui esta!!! Educacao!!!
(este e um post especial!!! Nada de pensar... boring)

O Bangladesh e um pais de escolas.
Existem milhares de escolas espalhadas por todo o Bangladesh para milhares de criancas...
O que vou contar sao pequenas historias sobre o metodo de ensino nesta regiao que me faz lembrar talvez um mundo onde os meus avos viveram enquanto criancas.

A primeira vez que tive alguma percepcao sobre os metodos de ensino generalizados no Bangladesh foi atraves da Ruth a Holandesa que me fui despedir na Alliance Francaise. A conversa surgiu num dia em que estava a ler no cafe e ela surgiu ao longe. Acenei e ela sentou-se comigo. Estivemos a falar algumas 3 horas... Bem, o estudo dela foi feito na India, nesta regiao de Bengala, e no Bangladesh. Ela foi a varias escolas Primarias e fazia alguns testes. Inicialmente apercebeu-se de que os alunos eram muito bons a ler e liam muito rapido. Mas despois de alguma atencao parecia que eles nao estavam a ler. Ela comprou um livro de criancas. Muito simples. Mais simples do que aqueles que eles liam. E... eles nao conseguiam ler uma linha. Numa turma de 30 alunos havia 1 ou 2 que conseguia ler vagamente algumas palavras!!!

Ao longo do seu estudo apercebeu-se de que este metodo e generalizado.
Ontem falava com o Arnold sobre isso e ele dizia que no Dhaka Project um dos professores de ingles fa-los decorar uma frase do genero "you almighty teacher, give us your wise...". Eles tem de fazer isto ao mesmo tempo que estao de pe e com as maos a segurar as orelhas.

Mais do que estas duas historias... No inicio quando cheguei e estive a trabalhar numa organizacao que se chama Working for a Better Life que trabalha com debates em escolas. Ao falar com os voluntarios apercebi-me que eles nao perguntavam as duvidas que tinham. Estavam perdidos e nao perguntavam. Depois de falarmos um poucos eles explicavam que nas escolas publicas e madrassas eles sao muitas vezes ensinados sob punicoes fisicas, "Perguntar e estupido" e o professor vai dizer que eles sao burros.

Noutro dia falava em Jeneheida com o Cheif Manager de uma ONG e ele dizia que o problema e que depois as familias nao veem o objectivo de enviar as criancas para escola porque e "useless". Assim esta criado um ciclo de nao valorizacao da educacao e os beneficios dela sao extramamente limitados.

sábado, junho 09, 2007

Geneva Camp















O que e o Geneva Camp?

O Geneva Camp e um dos campos que existem em Dhaka que tem refugiados Paquistaneses. Foram colonos do tempo em que o Paquistao e o Banladesh eram um so. Paquistaneses ou de descendencia Paquistanesa , falam Urdo e nao Bangla.

Apos a guerra da independencia que acabou em 1972 morreram 2 a 3 milhoes de bangladeshis nas maos das tropas Paquistanesas. Bangladesh torna-se independente.

Estes campos foram criados para estes paquistaneses... Nao tem direito a comprar terra, a passaporte, a sair do pais, ou qualquer outro direito basico de um cidadao de qualquer pais... Estao raptados por uma terra de ninguem.

Estes campos estao sobrelotados com edificios de 3 andares construidos manualmente. Cada campo deve conter 20 a 30 mil pessoas, sendo este numero um numero que tem aumentado dado a elevada taxa de natalidade. (obviamente as criancas perpetuam esta situacao sem direitos)

Esta fotografia e por tras do sitio onde trabalho.

No proximo vou falar sobre o sistema de educacao na regiao de Bengala. :)

quarta-feira, junho 06, 2007

Mini Post

Hoje queria partilhar o que me aconteceu nos meus ultimos dias.

Tive uma viagem muito interessante a Jeneheida no distrito de Khulna. Distrito originario do tigre de Bengala conhecido por Richard Parker descrito no Livro "A vida de Pi". Mostro uma imagem bastante alucinante do restaurante onde comi os tres dias em que ali estive.

Obviamente nao ha bela sem senao, por isso quando voltei estive doente desde quinta feira ate terca feira (ontem) com uma constipacao severa, um estomago fraco e uns intestinos que pareciam... agua. Ainda assim no domingo quando pensei que estava melhor, fui ver um torneio de futebol no Nordic Club e conheci uma pessoa extremamente acessivel e afavel com quem falei algum tempo. Soube depois que era o embaixador da Dinamarca. Uma pessoa muito proxima. Foi muito interessante.

Depois piorei... Ate hoje, em que quando acordei pensei... estou livre!!!
Mas o que queria partilhar sao os sonhos que tive embriagado por uma dor de cabeca monumental e uma dor de corpo e indisposicao que nao me deixavam fazer nada para alem de pensar que tinha de melhorar. Estes sonhos foram fantasticos. Na realidade ja tinha tido alguns.

Tive um sonho em que estive muito proximo da minha mae, estive em lisboa a saborear a luz e o ar. Falei com ela.Foi bom. Mas tudo parecia estranho. Depois ela perguntou-me se ia voltar para o bangladesh. O sonho passou a ser uma especie de pesadelo, em que nao percebia porque me tinha ido embora, porque deixei o bangladesh. Porque nao me deixei envolver o suficiente por este novo mundo... Tinha me ido embora. Era fraco! Nao tinha dinheiro para voltar... Nao tinha perspectiva para a minha vida... Senti desespero. Quando acordei tinha a boca seca, a garganta como uma lixa e o meu estomago revirava. Mas acordei.

Talvez este seja um post muito simples mas decidi partilhar. Para o proximo falarei do sistema de educacao no Bangladesh e na zona de benagala da India.

sábado, maio 26, 2007

Plantei uma arvore

Ontem tive uma experiencia simples mas forte. Plantei uma arvore.

Atraves de um dos meus novos amigos, Oliver, que me perguntou na noite anterior se queria ir juntamente com o Arnold (holandes), Alex (Bangladeshi de origem Chinesa e Koreana) e o grupo Roots and Shoots.

Assim fomos as 7 da manha num grupo de cerca de 30 pessoas. Chegados la estivemos a ver o trabalho deste grupo integrado num projecto do Pai e Mae do Oliver. Eles trabalham directamente com os lideres locais que desenvolvem um trabalho de segmentar e perceber quem e que sao os grupos mais pobres e fragilizados dentro da comunidade. Depois dirigem programas orientados para estes grupos. Ou seja, na zona onde fomos o rendimento e baseado nas fisheries, mas isso tem se tornado um problema com poluicao das fabricas de garnment e doencas endemicas. Assim os projectos sao baseados na diversificacao do rendimento das pessoas.

No Bangladesh a fruta e um luxo por isso esses lideres definiram uma terra que esta partilhada por varias familias e plantamos arvores de fruto. Estas arvores tem um custo aproximado de 100 dolares mas podem dar (cada uma) um rendimento anual a cada familia de 400 dolares o que significa um grande aumento na qualidade de vida destas pessoas. Um dos problemas e que estas arvores vao demorar 7 anos ate darem os primeiros rebentos.

Um dos grandes problemas do Bangladesh nao e a inexistencia de projectos mas a incapacidade de esses projectos serem integrados na comunidade de forma a que a comunidade valorize e usufrua dos resultados. Normalmente estas iniciativas caem por nao terem a cooperacao dos lideres locais.

Houve um momento especial.
Enquanto nos e rapazes da escola local cavavamos reuniram-se grupos de pessoas a volta de onde trabalhavamos. Um desses grupos era um grupo de 3 rapazes que estava a ver as raparigas e riam do nosso esforco talves por nao o compreenderem. Um dos rapazes que estava a plantar arvores comigo disse-me num razoavel ingles que eles estavam a gozar comigo. Mais tarde aproximaram-se e perguntei num bangla arcaico: "kaeno kaj koro na?" que quer dizer "porque e que nao trabalham?". Um dos rapazes rapidamente falou num bangla que nao compreendi e que o Arnold replicou num bangla agressivo para eles nao gozarem. Sentiram-se pressionados. Mais tarde voltaram timidos... perguntei "Help?". Rapidamente os 3 rapazes puseram as maos na mesma terra que eu o Arnold e os dois outros rapazes e recolocamos no buraco com a arvore. Perguntei-lhes os nomes. De repente estavamos os 7 a plantar 3 arvores de cada vez.

Senti uma frase que o meu pai disse: "O processo e o mais importante." A maneira facil era focar no objectivo de plantar arvores mas comunicando com os rapazes abrimos a oportunidade de poderem dar o seu contributo. O objectivo foi atingido mas o processo abriu as portas para compreenderem a importancia de plantar estas arvores, ajudar, partilhar esforco, e os outros frutos podem esperar os 7 anos.

Se quiserem saber mais sobre este grupo: http://www.ais-dhaka.net/Roots_Shoots/index.html

quinta-feira, maio 24, 2007

Portugueses (ao som de "Pratica(mente)" de Sam da Kid)

Anteontem fui-me despedir de uma Holandesa que esteve a fazer um estudo sobre a educacao no Bangladesh e na India. As conclusoes dao para um novo Post! Continuando....

Combinamos juntar um pequeno grupo na Alliance Francaise na zona de Dhamondi. Decidi ir ape de onde trabalho ate la. E aproximadamente 1 hora a pe com um calor que nos desfaz. Cheguei encharcado e bebi um cafe (uma agua preta de um nescafe soluvel). Tinha saudades... Esperei e chegou ela com a comitiva de despedida. No grupo conheci uma pessoa que se chama Paul James Gomes, Film maker. Depois de saber que eu era portugues disse-me que ele tinha descendencia Portuguesa. Disse-me que ha algumas igrejas espalhadas pelo Bangladesh do tempo dos portugueses e dos armenios. Ha uma igreja em Dhaka que se chama Portuguese Church. Isto fez-nos falar sobre a actual falta de ligacao historica e falta de conhecimento no mundo sobre o que os portugueses fizeram e a sua influencia.

Mais do que isso... Noutro dia falava com o meu amigo, activista politico, um lider e visionario, hindu, Monon (que quer dizer visao). Que me perguntou; " O que e que aconteceu a Portugal?", "Onde estao os piratas portugueses?". Senti aquela identidade ligada ao saudosismo emergir e revibrar no meu peito.

Comentei isto no primeiro jantar que reuniu toda a comunidade portuguesa neste pais. E obviamente todos nos criticamos a mentalidade portuguesa actual, aquele animismo, amorfismo, aquela falta de espirito, aquela mentalidade pequenina... (comunidade de 4 portugueses)

Outra pequena historia... A minha amiga Junia que vive na mesma casa de trainees que eu, falou-me tambem dos judeus portugueses de Amsterdao. Uma comunidade de cultura elevada, de classe alta que viviam do comercio e influenciaram em muito a ascencao da Holanda do sec XVII. O seu meio irmao e descendente desses judeus portugueses.

Gostei deste conjunto de eventos que me fizeram sentir... em casa...mas...

Reaccao tipica! AH ERAMOS TAO GRANDES E AGORA SOMOS TAO PEQUENOS... Sinto que isto depende apenas da atitude de cada um. Penso que esses portugueses que descobriram, se misturaram, partilharam, lutaram, eram apenas pessoas que estavam imbuidos de uma cultura, um estado de espirito de descoberta, aprendizagem e mentalidade aberta ao risco.

Temos que aprender a olhar para o passado para projectarmos o futuro.
EU DIGO NAO AO SAUDOSISMO! Luto por algo mais e valorizo a aprendizagem. Aprender e o segredo!
Quando vemos a vida como uma aprendizagem podemos sempre fazer a diferenca.
Em casa, no trabalho, em Portugal, no Bangladesh ou na Quinta da Serra que e um bairro de Luso-africanos (e "apenas" um bairro de barracas no meio do betao). Aprender e viver. Quando achamos que sabemos tudo... paramos de aprender... perdemos humildade e ficamos secos...

quarta-feira, maio 23, 2007

Ensaio sobre a cegueira

Hoje acordei irritado! Muitas vezes tenho este sentimento pouco nobre... E a pressao de uma sociedade em que o teu espaco e mais limitado por haver mais gente. As pessoas interferem directamente nas tuas coisas sem se aperceberem que isso cria um certo desconforto.

A primeira reaccao e obviamente tentar proteger o meu espaco. O que inicialmente funciona. Mas a medida que o tempo passa esse espaco e diminuido com essa pulsao natural das pessoas entrarem no que eu considero o meu espaco natural. Para elas esse espaco vagamente existe. Especialmente num pais onde muita gente vive em espacos limitados.

E uma especie de quadro em que as pessoas saem da tela e veem ter connosco e trazem um ruido ensurdecedor. Agora imaginem que na mesma tela num segundo e terceiro plano tem uma sociedade em que nao conseguem compreender os sinais, os simbolos, os icons, as letras, comportamentos, ou o que nos dizem.

Parece-me que a pulsao natural de proteger e uma decisao sem frutos... apesar de ser natural. Acho que o segredo e conseguir ler os pequenos sinais que sao comuns a quaisquer humanos. Ler os olhos das pessoas, as atitudes, a forma como se aproximam. Ou seja o segredo nao e lutar contra a pressao mas utilizar a energia que ela tem para poder aprender a ser humano.

terça-feira, maio 22, 2007

Lost in Bangladesh Translation

O Bangladesh e um pais fortissimo, cheio de vida, pessoas por todo o lado! Literalmente!

E o pais com maior densidade populacional no mundo. Sao 145 milhoes de pessoas na mesma area que Portugal ocupa.
Sao 145 milhoes de pessoas! Sao metade da populacao dos Estados Unidos, todos no estado de Nova Iorque. Sao toda a populacao da Russia em Portugal.

Podemos mesmo ver assim: se em Portugal quando olho a volta vejo 1 pessoa, aqui vejo... 14!!!

Um segundo dado que me parece extremamente relevante e o nivel de pobreza e a forma como as pessoas interagem com esse conceito.

No momento em que se chega ao Bangladesh (para quem nunca esteve noutro pais em desenvolvimento como eu) temos a sensacao de que todas aquelas pessoas sao pobres... desde o rikshaw puller passando pela menina que vende colares de flores na rua ou ate mesmo a pessoa que trabalha numa loja na zona rica da cidade. De facto quando comecas a viver aqui, percebes que ha realmente muitas diferencas... muitas mesmo... e que aquilo que te parecia pobre passa a ser rico... Depois todo o teu conceito de pobreza muda...

Estes foram as minhas 2 primeiras sensacoes fortes que tive ao chegar a este pais de cultura forte e costumes intrincados.
 

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